Sonho de Escrever

Você ainda se lembra da primeira palavra que você conseguiu ler? Eu lembro que a minha foi “The End”, quando eu tinha cinco anos, e ela apareceu vibrando nos créditos de um filme. Aliás, esta palavra é até irônica, porque além de não ser nem escrita na minha língua materna, ainda na vida de um escritor o que mais procuramos é a primeira palavra e não a última, nem vamos direto para a expressão que marque o fim, pois costuma vir muito mais naturalmente; se bem que dizem que fica mais fácil escrever um texto se começarmos pelo final.

Você ainda se lembra do seu primeiro caderno? Como era a capa dele? O meu primeiro caderno foi um com uma capa que mostrava um bosque e uma ponte sobre um rio curvilíneo ao entardecer. Usei-o na primeira série e logo nas últimas páginas, quando eu terminava uma lição, eu ficava escrevendo nomes de animais e tinha muita dificuldade para fazer a letra “X”, tanto que na época a professora precisava até pegar em minha mão para que a letrinha saísse. Depois esse hábito de rabiscar aleatoriamente minhas ideias nas últimas páginas de meus cadernos me acompanhou por todo o ensino básico, médio e até mesmo na faculdade.

Você ainda se lembra do seu primeiro texto na sala de aula, ou quando precisou ler algum texto de sua autoria na frente de outras pessoas? Eu lembro que o meu primeiro texto foi uma espécie de “preencha você mesmo” sobre a história de um ratinho que precisava buscar cerejas numa floresta à noite e estava com muito medo dos perigos que poderia encontrar, embora a fome fosse maior. Só sei que eu preenchi mais de três páginas e a professora ficou surpresa com o tanto que pude escrever naquele exercício de redação.

Acredito que esses tenham sido sinais me mostrando o quanto que eu já nasci com a fome de ser escritora. Você com certeza possui lembranças e pistas parecidas ou até mesmo diferentes, mas que ainda estão debaixo da mesma vocação de amar escrever. (Ou de repente até mesmo de executar outras atividades. Mas você consegue ouvir seus sinais?)

O que sugiro é que você guarde com carinho cada uma das dicas que a vida lhe dá como: o cheiro de um livro novo, uma página ou frase que lhe marcou tanto que você precisa anotar em algum lugar em seu quarto para poder olhar sempre e citações que mexem fundo com seu coração. São outros indicativos que você também tem Alma de Escritor(a).

Para alguns, ela acorda cedo na vida, e por isso que vemos tantos autores mirins surgindo. Para outros, ela pode demorar bastante tempo, e ela fica dando cutucões e estímulos em vários momentos da vida, até que finalmente não se suporta mais todo esse vulcão criativo que está por dentro, e se precisa pôr tudo isto para fora de alguma forma. Já para outros, como no meu caso, sempre tive uma intuição muito forte sobre o caminho que queria seguir, porém, tive muitos obstáculos e agora finalmente chegou a minha hora e por isso que resolvi me dar de presente este blog, um presente para aquela pequena criança que começou a ler e a escrever tão cedo, e que foi guardando o que produzia ao longo dos anos por medo de que não fosse aceita ou que suas ideias fossem rebeldes demais.

Mas mais do que isso, espero que esses textos que estarei publicando aqui nesse blog possam ser um presente especial também para você que tenha qualquer sonho que seja e que palavras possam servir de apoio e como um farol que lhe guie na crença de que tudo é possível e pode melhorar, apesar dos desafios diversos que ainda assim, trazem recompensas para todos que perseveram e não deixam que seus sinais sejam desperdiçados e que aprendem a entendê-los e a vivê-los.

Por Gigi Pormei

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