Descontrolada

Chega outro fim de semana e Rita percebe que precisa parar de gastar tanto com shows de rock, porque não está sobrando nem para mobiliar a casa, sendo que quase todos seus móveis estão velhos demais e quem dirá para poder fazer uma boa reforma em sua casa, que ela com raiva, sabe ser a mais feia da rua.

“Mas é minha válvula de escape!”, ela força para cima de seu lado sensato, mas nem um pouco divertido, enquanto passa o batom preto, em frente do espelho.

Após outra noitada daquelas, acorda na manhã seguinte se sentindo péssima porque gastou mais do que podia e volta a chorar.

Quando até as lágrimas já secaram, resolve ir na padaria e compra todas as besteiras que vê pela frente para tentar “adoçar o dia”.

Sentindo-se melhor, pensa de novo consigo mesma toda decidida: “Agora sim, eu vou tomar a atitude certa: vou planejar o que preciso fazer, o quanto tenho que poupar e vou resolver meus problemas!”

Cheia de energia, passa o resto das horas fazendo listas e planilhas no computador do que gostaria de comprar para sua casa; entra em diversos sites de lojas pedindo orçamento do guarda-roupa que está com a porta solta; quer ver também um novo sofá porque o gato detonou afiando as unhas e como ainda não é nem meia-noite, emenda nas pesquisas enfim, a sonhada reforma.

E como conter as lágrimas novamente que descem como cascatas quando percebe que a lista ficou grande e o preço maior ainda, mas não tem dinheiro para comprar tudo que está precisando?

É então que ela fecha todas as abas de móveis e materiais de construção e vai procurar o próximo show de rock em sua cidade pelas redes sociais.

“Depois desse show, tenho certeza que vou esquecer como minha vida está ruim. É minha válvula de escape.”

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