O Martelo do Juiz

Proibida de viver.
Castrada em todos os desejos de meu ser.
Estive vagando nesse mundo injusto,
onde a falta de perdão para mim teve muito custo.

Fugindo de denúncias,
de crimes que nunca fiz e cobri de renúncias,
mas ninguém nunca me ouviu,
ninguém nunca me estendeu a mão, só para cometer ato vil.

Acusada e encarcerada mesmo sendo inocente,
vivi atrás das grades, quando era para ser para outra gente
– aquele tipo de pessoa que se faz de santa
mas que por dentro é carne que não se decanta.-

O calendário correu e o juiz enfim bateu seu martelo.
Não sou mais aquela jovem, mas minha vingança não virou farelo.
Agora voltei a poder andar sem julgamento.
Nada mais vai me impedir de viver com o de outrora mesmo atrevimento.

Coração de ladrão não guarda perdão.
Vou agora reconstruir o que puder antes do iminente caixão.
Mas dessa vez vou roubar para mim,
tudo que me foi retirado impunemente enfim.

Apesar de tudo que falaram sem embasamento,
vou ser um exemplo e dar ensinamento
de como continuar uma vida de cabeça erguida,
mesmo que muita coisa tenha sido destruída.

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