Sufoco

Ainda doía fundo na alma, mesmo depois de seis meses
que eu já havia recebido o resultado de meu exame
devido a um acidente automobilístico, e em uns dos da vida reveses,
acabei ficando presa em uma cadeira não de rodas, mas de arame.

Sempre sofri com outros tipos de limitações.
Não era fácil morar em uma cidade demais pequena
para meu sonho de ser bailarina e dançar em famosos salões.
Mas sempre fui guerreira e odiava que sentissem de mim pena.

Só que agora da chuva minhas lágrimas já são amantes,
e não importa as outras visitas, só me acompanha de fato a depressão,
que me joga na cara todo dia o contraste do que eu fora antes
com essa de agora, com olhos de escuridão.

Já procurei astrólogo, padre e pai de santo
para saber se era karma, pagamento de pecado ou caminho fechado
tanta má sorte, e todos me falaram para achar na vida novo encanto.
Mas como viver com o coração sem sonhos… Dilacerado?

Inconsolada e na minha família, com vergonha, encostada,
me sobrava muito tempo e quando não chorava, a vídeos eu assistia
num misto de ódio e de admiração pelas dançarinas e, azarada,
me questionava o que faria agora que acabara a fisioterapia.

Foi quando percebi que era pouco só com meus parentes conversar,
e num ato de desespero para dividir minha dor,
resolvi minha história pelas redes compartilhar
e para me manter próxima da dança, fui fazendo comentário amador.

Para meu choque, meu conteúdo viralizou,
até que a diretora de um salão de São Paulo, ao ver minha experiência,
para dar aulas online me chamou.
A princípio eu duvidei… desconfiei, mas aceitei após tanta insistência.

E assim aprendi que a música não só ao corpo e às pernas embala,
mas também ao coração e à alma, e com minhas alunas entendi
que finalmente aquela dor que até ao som da vida cala,
finalmente tinha ido embora, e com o mundo de novo me surpreendi.

Por Gigi Pormei

5 comentários

  1. Bela história, triste, de lutas e muitas reviravoltas com um momento feliz ao aparecer um bom acolhimento e reintegração no segmento interrompido pelo trágico acidente. Não é fácil, só quem está no problema sabe o que é, conhece o sacrifício e os árduos caminhos a seguir.
    Com certeza é um grande exemplo, incentivador que nos mostra que nada está perdido, a não ser que desistimos de seguir em frente. Um grande abraço 🤗 🌹

    • Obrigada pelo comentário, Luíz! Procuro fatos intensos do dia a dia para criar meus personagens na busca de motivar e inspirar pessoas para olharem mais o lado positivo da vida. Valeu por apreciar meu trabalho!❤️✨

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