Rastro de Giz

Quando a vida vier com seu giz
escrever perguntas no quadro de sua mente,
não as apague e nem se apoquente,
nem fique carregado de culpa que sentencia nenhum juiz.

Simplesmente há momentos que cansamos do mesmo café
corrido de manhã cedo, do barulho, das rodas e da fumaça;
de ver a vida lá fora pela janela até batermos o ponto com pirraça;
e de em casa, buscar para mais outro dia igual, mais um pouco de fé.

É como se no nosso corpo de repente entrasse nova passageira:
uma vontade de fazer diferente, de olhar por outro ângulo.
Sair desse eu, os outros e aquele outro eu – nada amoroso triângulo.
Sem o cinza cotidiano, antes de na varanda ou na rua movimentada uma besteira.

E quando ela bate à nossa porta,
não tem como fingir que não ouvimos.
Ela atravessa o que for e nos traz ensinamentos preciosos e caríssimos.
É nossa alma querendo viver o que realmente importa.

Por Gigi Pormei

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