Lago Negro

Poucos têm a coragem de mergulhar no lago negro
que em sua própria mente jaz íntegro,
temendo os fantasmas que estão ali a pescar
e se amedrontando com os corpos de memórias a boiar.

Mesmo fechando a janela
como quem por sua inexistência anela,
ele está lá, com seu reflexo espelhado no teto
chamando quem ao dormir, sonha com seu desafeto.

Segredos estão em sua profundidade,
mas águas frias convertem o ato de mergulhá-lo em nulidade.
E para conhecê-lo se faz preciso mais do que coragem,
deixando para trás o amor pela vida em barco na ancoragem.

Porém, não há ninguém que após sair dele,
não saia também renovado e banhado pelo desejo que compele
a não mais temer nenhum monstro marinho ou subterrâneo
que possa tentar de novo se esconder com deslize de fraqueza errôneo.

Por Gigi Pormei

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