Não Olhe

Por favor, não olhe para mim.
Não quero que você veja essas feridas
que tento esconder debaixo de glamour e cetim,
e cuja dor tento calar em festas sem sentido e tórridas.

Há o perigo de minhas cicatrizes
serem para você um espelho
e você vai ver que fomos julgados pelos mesmos juízes
pelo simples crime de querermos algo novo e não só o velho.

Mas se apesar disso você quiser se arriscar
e perceber que está no mesmo do que eu barco,
ainda posso meus remédios te emprestar:
a coragem como flecha e a ousadia como arco.

Assim mesmo que esquartejem nosso sonho,
juntaremos com persistência cada pedaço,
pois é ele que vai nos tirar do fim medonho
de sermos vencidos pelo do ódio inimigo aço.

Por Gigi Pormei

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